Jihad e o estabelecimento de um califado global

O califado passou ao teletrabalho

No início de setembro, a França acusou três homens de um grupo de WhatsApp chamado «Soldados de Alá», suspeitos de se prepararem para se juntar ao Estado Islâmico em África e/ou para atacar a comunidade judaica. Um deles estava em contacto com uma convertida norte-americana que alegadamente planeava fazer explodir o Capitólio do Estado de Nova Iorque, até o FBI lhe entregar uma bomba inerte. Entretanto, jovens fãs do Estado Islâmico transformam a propaganda do grupo em desenhos animados.

Soldados de Alá, divisão WhatsApp

A 3 de julho, os investigadores franceses começaram a investigar as «atividades jihadistas» de um grupo de WhatsApp chamado «Soldados de Alá». Três homens foram detidos a 1 de setembro e, a 5 de setembro, acusados de associação criminosa terrorista e colocados em prisão preventiva. O Ministério Público suspeita que se preparavam para se juntar ao Estado Islâmico em África e/ou para uma «ação violenta» contra a comunidade judaica.

Segundo o Le Monde, um deles, de nacionalidade estrangeira, foi detido num centro de detenção de imigrantes nos arredores de Paris. O Estado francês já estava a preparar a sua expulsão. O Ministério Público suspeita que o grupo tinha outro destino em mente.

Uma bomba para um hemiciclo vazio

Segundo a RTL, um dos suspeitos, de 20 anos, estava em contacto com uma convertida norte-americana de 35 anos detida pelo FBI a 19 de agosto em Albany. A mulher terá jurado lealdade ao Estado Islâmico na internet e planeava fazer explodir o Capitólio do Estado de Nova Iorque «num dia em que lá estivesse o maior número de senadores». A assembleia legislativa não reunia desde junho.

«Quero que também percam muitos documentos importantes.»— A suspeita de Albany, segundo a queixa federal, agosto de 2026

Os membros do Estado Islâmico com quem conspirava eram informadores do FBI. Deram-lhe dinheiro para os ingredientes da bomba de pregos, que ela comprou na Home Depot, entregaram-lhe depois um engenho inerte, e ela foi detida. Depois do atentado, planeava fugir para território do Estado Islâmico na Síria. O grupo perdeu ali a sua última aldeia em 2019.

Quatro países, uma marca

Este verão, o Kuwait desmantelou uma célula que planeava atacar uma mesquita xiita, deteve dois menores treinados em explosivos e um homem que tinha construído um drone de ataque. Israel acusou um jovem de 19 anos de planear atacar uma base militar, um homem de preparar um carro-bomba para uma discoteca de Bersheba e um antigo soldado que treinava para combater pelo grupo na Síria ou em África. Em Istambul, um alegado operacional e um civil morreram num tiroteio com a polícia. O Long War Journal não vê qualquer ligação operacional, apenas uma marca partilhada.

A jihad, agora em desenhos animados

Um relatório do Institute for Strategic Dialogue, partilhado com a Wired, descreve a «Slop Jihad»: memes, montagens de fãs e desenhos animados criados com inteligência artificial generativa por jovens apoiantes do Estado Islâmico e da Al-Qaeda. O autor encontrou 150 vídeos deste tipo em 71 contas do TikTok, vistos mais de 5,4 milhões de vezes. Um deles recria um vídeo de execução do Estado Islâmico como um desenho animado do Bob Esponja. O TikTok rejeitou o método e as conclusões do relatório. Afirmou também:

«Todo o conteúdo referido neste relatório foi removido do TikTok.»— Porta-voz do TikTok, à Wired, setembro de 2026

Dezenas de vídeos foram apagados depois de a Wired os ter enviado ao TikTok, e muitas contas mantêm cópias de segurança. A velha guarda amua: alguns apoiantes veteranos duvidam que os autores dos desenhos animados sejam verdadeiros crentes.

O califado, deslocalizado

O Estado Islâmico continuou a ser o grupo terrorista mais mortífero do mundo em 2025, segundo o Global Terrorism Index. Os seus ataques na África Subsariana quase duplicaram, passando de 111 para 221, enquanto diminuíram 39% no Médio Oriente e no Norte de África. Daí, talvez, os planos de viagem dos suspeitos franceses.

O califado perdeu Mossul e Raqqa em 2017, e a sua última aldeia em 2019. Ficou com o chat de grupo.

Fontes

  1. 01 Long War Journallongwarjournal.org · 2 artigos 1 2
  2. 02 Ynetnewsynetnews.com
  3. 03 The Jewish Chroniclethejc.com
  4. 04 Wiredwired.com
  5. 05 RTLrtl.fr
  6. 06 Le Mondelemonde.fr
  7. 07 TV5Mondeinformation.tv5monde.com
  8. 08 US Department of Justicejustice.gov
  9. 09 APapnews.com
  10. 10 Global Terrorism Indexvisionofhumanity.org

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